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José Manuel Oliveira |
| A juíza do Tribunal de Portimão Ana Lúcia pronunciou a anestesista e o director do Hospital Distrital de Lagos, respectivamente, pela prática de dois crimes de homicídio por negligência e um crime da mesma natureza, na sequência do falecimento, nos dias 29 e 30 de Março de 2004, de dois pacientes quando se encontravam no bloco operatório daquela unidade de saúde, onde deviam ser submetidos a pequenas intervenções cirúrgicas. O Centro Hospital do Barlavento Algarvio "ainda não foi notificado oficialmente" da decisão judicial, limitou-se a afirmar ao DN fonte daquela instituição, recusando, para já, tecer qualquer comentário sobre o caso. Na altura, Albertina Estêvão, então de 44 anos, casada, com um filho e residente em Albufeira, preparava-se para ser operada a uma fistula na zona perianal quando a indução da anestesia acabou por lhe ser fatal. Teve morte imediata. O outro paciente, Rui Manuel Gonçalves, de 35 anos, casado e também residente em Albufeira, onde trabalhava num bar, ia ser submetido à extracção de um quisto nas costas, intervenção considerada "menor", segundo lhe tinham referido os médicos. Contudo, também acabou por não resistir à anestesia, tendo falecido já a caminho do Hospital do Barlavento Algarvio, para onde fora transferido de urgência. Ambos tinham aguardado pelas cirurgias em lista de espera. As queixas apresentadas pelos familiares das duas vítimas acabariam por ser arquivadas Ministério Público de Lagos. Na sequência dos recursos interpostos ao Tribunal de Portimão, as famílias requereram a abertura da instrução dos processos, "pedindo a reapreciação de determinados factos mais do que suficientes para serem sujeitos a julgamento", o que mereceu o acolhimento por parte da juíza Ana Lúcia. A decisão foi conhecida, ontem, à tarde. Os dois arguidos - a anestesista Maria Jesus Lima e o médico Pimenta de Castro - poderão, no entanto, recorrer para o Tribunal da Relação de Évora. Segundo apurou o DN, incorrem em penas de prisão que poderão ir até oito ou 12 anos. "Sempre lutei por isto e finalmente, vai haver justiça. Só quero que o culpado, ou os culpados pela morte do meu filho, sejam condenados" disse, ontem ao DN a mãe de Rui Gonçalves, ao tomar conhecimento da decisão do Tribunal de Portimão. Por seu turno, Manuel Soares, amigo da família e que ainda hoje se mostra estupefacto com óbito do jovem, "sempre saudável" e com quem praticava desporto, referiu que "se abre, agora, um novo alento" neste caso. "A família não quer receber indemnização, mas apenas levar o assunto até às últimas consequências e aguardar que seja feita justiça", disse. Já a advogada Tânia Luz, que patrocina a defesa da família de Albertina Estêvão, encara com "alguma esperança" o facto de os dois clínicos terem sido agora acusados. "O objectivo é apurar responsabilidades em julgamento pela morte de duas pessoas", afirmou ao DN a causídica. |
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