«Face a essa proibição, inédita e original, tivemos que reunir com os médicos na rua», lamentou o presidente da OM/Norte, José Pedro Moreira da Silva.
Joaquim Pinheiro, director clínico da Unidade Local de Saúde de Matosinhos, que tutela o Hospital Pedro Hispano, confirmou que a cedência de instalações para a reunião foi recusada.
Justificou a medida por estar marcada para sexta-feira, às 12:00, no mesmo hospital, uma reunião sobre o mesmo assunto, com o bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes.
«Não podemos dispensar profissionais em dois dias consecutivos, numa altura de grande pressão para o serviço hospitalar, para debater o mesmo assunto com duas estruturas da mesma organização», disse o director clínico.
«Face aos dois pedidos de reunião e atendendo a que se trata de uma questão nacional, entendemos que seria melhor discutir a questão na presença do senhor bastonário», acrescentou Joaquim Pinheiro.
O Ministério da Saúde instou quarta-feira todos os estabelecimentos públicos a adoptarem sistemas automáticos, de preferência electrónicos, para controlar a assiduidade dos funcionários.
Trata-se, segundo o ministério, de generalizar um procedimento já adoptado na Unidade Local de Saúde de Matosinhos - que integra o Hospital Pedro Hispano e os quatro centros de saúde de Matosinhos - e na Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa.
Em Matosinhos, o controlo está a ser feito através de impressões digitais, em regime experimental, desde o início deste mês, enquanto que a Maternidade Alfredo da Costa verifica a assiduidade através de cartões digitais.
A OM/Norte critica a medida adoptada pela unidade de Matosinhos, por considerar que reduz a actividade médica a «um exercício essencialmente burocratizado».
O organismo nortenho atribui ainda à administração da Unidade Local de Saúde de Matosinhos todas as responsabilidades por decréscimos de produtividade que venham a ocorrer.
Entretanto, a Direcção Clínica da Unidade Local de Saúde de Matosinhos admitiu a retirada sistemas de vídeo-vigilância em algumas áreas do Hospital Pedro Hispano, caso se comprove a sua suposta ilegalidade.
«Se alguma estrutura competente disser que estamos ilegais, desligaremos esses sistemas, além de assumirmos todas as responsabilidades», assumiu o director clínico.
No final da reunião com os clínicos do Pedro Hispano, o presidente da OM/Norte acusou os responsáveis pelo hospital de instalarem câmaras-vídeo em salas de operações «sem autorização da Comissão Nacional de Protecção de Dados».
«É uma medida francamente grave», disse José Pedro Moreira da Silva, anunciando que os serviços jurídicos do organismo «vão tratar do assunto» esta semana ou na próxima.
Em resposta, o director clínico da Unidade Local de Saúde de Matosinhos afirmou não ter indicação sobre a alegada existência de câmaras de filmar nas salas de operações, confirmando apenas a sua existência nas zonas de admissão.
O responsável acrescentou que as câmaras apenas transmitem para os serviços de controlo as imagens em directo, não as gravando.
Diário Digital / Lusa
28-12-2006 15:55:00
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