
Foi com enorme surpresa que me chegou um artigo do vosso Jornal, no qual o Director Clínico e o Presidente do Conselho de Administração do Hospital Amato Lusitano dão uma entrevista.
A surpresa vem de responderem a uma carta anónima. Todos sabemos que as cartas anónimas não têm o mínimo de credito, são veículos de insultos e cobardias e por isso mesmo merecem o nosso repudio e desinteresse.
Ao responder a esta carta os membros do Conselho de Administração do HAL estão implicitamente a dar crédito a insinuações, que, pelo decorrer das justificações, vimos serem fundadas, e aproveitam mais uma vez, para por sua vez fazerem insinuações suezes a respeito de colegas, partindo do principio que foi um médico do hospital que fez a referida denuncia.
Colocam-se ao nível da pessoa que escreveu a carta o que é lamentável.
Compreendo que os dois queiram manifestar a repulsa pela carta e actuar esclarecendo e defendendo-se, mas nada justifica o conteúdo muitas vezes insultuoso e mais uma vez o Presidente do Conselho de Administração no seu discurso aceso, trauliteiro e ameaçador, lança a suspeição no corpo clínico do hospital.
Fui dos primeiros a escrever e dizer o que pensava desta administração e desta politica de saúde que levará à destruição do S.N.S., sempre assinei os artigos que escrevi e continua a ser essa a minha politica, por vezes excedi-me, tal como o Dr. Sanches, ninguém é perfeito, terei sido injusto e causado embaraços à presente administração, deixei de escrever no Blog em que escrevia e continuei a minha luta por uma melhor saúde em Castelo Branco no âmbito da Comissão Albisaúde.
No entanto e perante este artigo e um outro que em que a administração reivindica maior eficácia,e outros factos recentes vergonhosos, que vão desde o titulo do Eng??? José à violência doméstica no CDS, na UNI passando por Gondomar não posso deixar passar em claro. Será que temos os políticos que merecemos????
Vamos por partes:
1) Quanto ao vencimento auferido pelo Dr. João Frederico, ficamos com a ideia de que realmente ele aufere mais de 15.000 € mês. Não é desmentido, o que é referido é que este se deve ao trabalho desenvolvido na UCIP e não por acumulação dos cargos de chefia que exerce, e que nem é ele que recebe mais no hospital.
a) Esta é uma situação a todos os títulos reprovável. À uma porque a este ordenado corresponde uma das grandes batalhas do actual ministro da Saúde. As horas extraordinárias dos médicos. Porque o Director clínico, tal como faz para os outros serviços, pode contratar médicos para virem fazer essas horas. Porque vai contra todas as recomendações de todas as organizações, incluído um recente comunicado da Ordem dos Médicos na qual é explicito que o número excessivo de horas aumenta em muito o rendimento médico e põe em risco a vida os doentes. (e estamos a falar em mais de 55 horas semanais). Porque ninguém acredita que alguém possa realizar como vem na escala que é feita pelo próprio, 72 horas de permanecia física consecutivas, e em todos os postos simultaneamente.
b) Porque se há situações ainda mais graves que a do Director Clínico cabe à administração por cobro a elas. Sendo conivente com elas e tirando aos outros, temos que deixa no ar a suspeita que temos filhos e enteados desta Administração.
2) É a todos os títulos lamentável a afirmação do Dr. Sanches quanto às direcções Clínicas do Hospital, só vem por à evidencia para quem tivesse dúvidas a animosidade contra os médicos de carreira hospitalar, e o total desconhecimento de funcionamento dos respectivos serviços que este médico tem. É um verdadeiro insulto a todos os médicos hospitalares e directores de Serviço em particular. Se um só clínico pudesse acumular todas as Direcções dos Serviços porque diabo sempre houve, há e haverá Directores de Serviço? Mais se administração quisesse, podia mesmo faze-lo, porque o não faz? Como Presidente do Conselho de Administração o Sr. Dr. Sanches devia ter o bom senso de apaziguar tensões em vez de aumenta-las, de promover um bom ambiente de trabalho em vez criar desmotivação.
3) Há cerca de 30 anos o Chaceler Willie Brant demitia-se por uma das suas Secretárias ser espia da RDA. Que raio de culpa tinha ele?
Ele não tinha culpa mas era o responsável, é uma questão de dignidade, lisura, honestidade política e de bom carácter.
Há duas semanas tive no meu consultório um casal de 45 anos que de desde há seis meses anda a tomar anti depressivos e ansioliticos e choravam. Razão muito simples, pertencem aos quadros do ministério da Agricultura e estão apavorados. Como eles estão mais cerca de 9.000 pessoas do ministério.
A relação entre estes factos e a actual é simples:
A dignidade de um cargo público não pode ser compatível com suspeitas de irregularidades graves, muito menos com a confirmação.
O Partido socialista pediu a demissão de Valentim Loureiro por ser arguido, na Câmara de Lisboa vai acontecer o mesmo então que devemos fazer com os que foram condenados? Recompensa-los?
Actualmente os escândalos de conluio, compadrio, tráficos de influencias, corrupção, favorecimento é de tal forma escandaloso que atinge todos os cargos, o Primeiro-ministro, o Governador do Banco de Portugal, autarcas, presidentes do INEM, reitores Universitários presidentes do Conselho de Administração do Hospital. QUE DIABO PARA TER UM CARGO PUBLICO SERÁ PRECISO TER CADASTRO?
Será que as reformas têm que ser feitas contra as pessoas?? Será que não pode haver diálogo? Tem que se levar as pessoas ao desespero ???
No meu entender não. No entender da tutela e da actual administração do HAL sim. Por isso me demiti de director de Serviço, e neste momento considero seriamente deixar de trabalhar temporariamente no Hospital para ter momentos de Paz comigo próprio, e como protesto contra esta massa de dirigentes sem vergonha nem dignidade.
Vasco Juzarte Rolo
Médico do HAL
